a resposta


Ver as coisas virando passado é muito doloroso.
É melhor mesmo quando não percebemos todo o processo, mas a minha mania de destrinchar o cotidiano e os sentimentos tinha que acabar comigo. E eu demorei tanto pra descobrir que toda a dor que vinha sentindo era simplesmente isso. Medo de ver hoje virar ontem, de ver o ontem virando anteontem. Tanta coisa se tornando passado… Era só isso. Inevitavelmente as coisas estavam ficando pra trás. Só que eu não sabia distinguir as coisas que ficaram lá paradas, e as coisas que eu fiz questão de correr na frente, pra superar. E eu tenho medo de estar coagindo o presente a virar passado, sabe? Fui percebendo cada coisinha, homeopaticamente, e quando dei por mim, em vários momentos tive que dizer: “você é passado.”; “você ainda não…”; “você está se tornando, me ajuda!”.
E não adiantou. Acredita?
O caso agora é que algo está cada vez mais longe e toda vez que me refiro, é com verbos no passado, com coisas que conversávamos, fazíamos, discutíamos, desejávamos. (está vendo?) Tudo no passado… mas eu estou teimando pra sempre fazer presente. E agora, eu tenho medo de estar perdendo a vontade de teimar… vira-e-mexe me perguntando “pra quê?”. E eu devia ter essa resposta, meu Deus.
Eu devia.

5 comentários sobre “a resposta

  1. Desde que inventaram uma palavrinha chamada 'tempo', as coisas que acontecem agora viram passado, e as que ainda vao acontecer viram (ou nao) presente, e essas, por sua vez, viram passado, e assim vamos vivendo…
    Nao adianta o tanto que voce tente e teime, tudo vai sempre se tornar passado. Eu ja nao me esfor'co mais…
    Perdao ao teclado sem acentos hahaha

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  2. “Faço o que posso, percebo que há coisas que estão a fugir-me das mãos e outras que ameaçam fazê-lo, o meu problema é distinguir entre aquelas por que ainda vale a pena lutar e aquelas que devem ser deixadas ir sem pena, Ou com pena, A pena pior, minha filha, não é a que se sente no momento, é a que se vai sentir depois, quando já não houver remédio, Diz-se que o tempo tudo cura, Não vivemos bastante para lhe
    tirar a prova, disse Cipriano Algor.” Saramago.

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