… mas muito cuidado, não vale chorar

– que é isso, moço! esse algodão doce é feito com grãos de ouro, em vez de açúcar?

… o algodão doce eu não sei, mas o amor sim. E cada pedaço de chão pisado depois de uma dose de cachaça parecia direcionar pra um lugar que, provavelmente, não vamos chegar. Porque já estamos nele, estamos pisando em felicidade, tropeçando nela sem querer, comprando por dois reais e sentindo a doçura desmanchar na língua com uma leveza indescritível. Estamos encontrando flocos brancos dela no chão do parque, ouvindo várias pessoas cantar. Borrifando felicidade na pele, no pescoço, no colo, no ventre, pro outro sentir o cheiro e não esquecer, estamos esquecendo a felicidade em casa, no chão perto da cabeceira da cama, com cheiro e tudo. Estamos sentindo a felicidade na água gelada do chuveiro, estamos apalpando com a luz apagada do quarto, ouvindo a felicidade na nossa respiração, na voz, cantando, suspirando. Estamos provando a felicidade na saliva, no cuscuz de manhã, na tapioca (gostosa, quentinha…), na caixa de bombons. Estamos tomando doses diárias e sentindo a felicidade descer queimando pela garganta e aquecendo o estômago, a coração, a cabeça e o corpo inteiro. Estamos sentindo calor e saudade. Estamos vivendo. Estamos sendo.

Espírito de Minas, por José de Holanda.

“é um samba tão imenso que eu às vezes penso
que o próprio tempo vai parar pra ouvir.”
Olê, Olá – Chico Buarque

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