capítulo I . a espera

juiz de fora

Não me lembrava de sentir meu coração bater tão rapidamente como estava acontecendo, parecia tão acelerado que eu sentia dificuldade para respirar fundo, às vezes. É sério, eu queria chorar, mas era bom. “Que medo alegre, o de te esperar“, lembrava dessa frase da Clarice Lispector. Senti como se em poucos segundos fosse entrar num palco, e uma multidão, do escuro, assistiria a todos os passos que eu reproduziria ali, tão ensaiados. Eu precisava sorrir e mostrar segurança. E aquele frio na barriga de estreia, de ter que lembrar de tudo, de não esquecer a contagem, aquela sensação gostosa de que seria, como sempre, um dos melhores momentos da minha vida. E que durante todo o tempo meu corpo (re)agiria como se estivesse em transe, sendo levado por alguma coisa que a gente que dança nunca sabe dizer o que é. Como é possível deixar a emoção falar tão alto e, mesmo assim, lembrar de tudo e não errar um movimento? É assim quando se dança. E passaria tão rápido, ainda que o espetáculo demorasse 10 músicas. Ainda que demorasse dois dias e uma noite.

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