acredite ou não*

Entrou no banheiro já tarde da noite e começou a se despir. Dessa vez o espelho não passou despercebido, nem ela passou despercebida por si mesma. Se olhou; e como se tivesse visto alguém de quem sentia muita falta, sorriu da forma mais ridícula que era capaz. Quis se abraçar e dizer que sentiu saudades, mas ficou se olhando, ainda sorrindo daquele jeito. 

E aí ficou séria de repente, sem deixar ,porém, de ter motivos pra sorrir.

Aqueles olhos grandes que seriam perfeitos se um não fosse mais levemente caído do que o outro; a boca entreaberta, que seria um charme se também não fosse levemente torta para um lado. As sardas que quase não apareciam, que poucos percebiam, e que deviam aparecer. A bochecha rosada que seria graciosa, se não fosse apenas do lado direito. Sem falar nos dentes ruins, em algumas manchinhas, no cabelo descabelado e desbotado, na raiz escura. Sem falar também na sobrancelha por fazer. 

A ausência quase constante de maquiagem.
A preguiça constante de maquiagem…
Tudo isso e mais um monte de coisas ridículas, feias, incômodas, irritantes… Tudo isso, e ele ainda gostava dela.
*  Lenine

2 comentários sobre “acredite ou não*

  1. Nunca deixe de gostar, mesmo nos dias que isso parecer completamente impossível. Quando nasce uma espinha na ponta do nariz, a unha vermelha tá toda descascando, as olheiras ficam apoiadas nas bochechas, o cabelo não da jeito e aquelas coisas que o espelho não mostra não te agradam nem um pouco.

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