sobre luz própria

Foto: Fabrizio Boari
Nunca tinha parado pra pensar como uma pequena distração pode ser injusta, sem querer mesmo. Desde que o ônibus começou a andar eu percebi um céu estrelado como há muito não tinha oportunidade de ver. E também reparei, depois de tantas viagens a noite, que olhar as estrelas da janela de um ônibus é delicioso, porque parece um painel fixo; parece que elas estão coladas no vidro, acompanhando você.
Eu pensava em fazer um pedido, pensava que o único desejo que eu fiz, uma vez – também durante uma viagem – em uma fonte dos desejos pode estar muito perto de se realizar. E pensando isso, cogitei não desperdiçar um pedido a uma estrela com algo que gastei com 10 centavos. Sem falar, claro, que havia muitas, e eu nunca sei se devo pedir a mais brilhante ou a primeira que aparece pra mim. Nunca sei nada, mas não entrarei no mérito dessas questões.
Foi então que eu vi uma luz muito forte; quis saber de onde vinha, quis saber o que brilhava tanto. Era só a luz de uma dessas casas no alto de um morro qualquer. Depois fiquei pensando como fui injusta, deixando de olhar as estrelas pra procurar de onde a luz que brilhava tanto vinha. Um falso brilho, que não pude deixar de querer dar olhos; um falso astro, que distraiu a minha atenção de algo verdadeiramente bonito e com luz própria.
Deus, me proteja de falsas estrelas.

2 comentários sobre “sobre luz própria

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