contratempo – I

Logo que a menina tirou o livro da mochila, me senti tocada de alguma forma. Leu, então, em voz alta, com a vagareza dramática de uma criança que está aprendendo a ler. Disse, com essa coisa toda: – A MOR.
Começou então a ler, ainda em voz alta, porém não suficiente para ser ouvida, mesmo com a pequena distância entre nós. O trânsito contínuo, barulhento e igualmente dramático não deixava ninguém ouvir o que era o amor na voz de uma menina qualquer.
Certamente ninguém ia querer ouvir aquelas besteiras. Só eu.
Como se saber daquilo bastasse.

continua…

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