fevereiro de dois mil e oito

Seu jeito de falar carregava a serenidade e a lassitude de um homem de setenta anos. Suas palavras, muitas vezes balbuciadas, caminhavam com uniforme vagareza; suas frases saíam sempre vagas e até mesmo entediantes. Eram frases vacilantes. E o jeito de falar era de quem parecia medir milimetricamente o que dizer. Parecia pensar com cuidado, em cada pausa que fazia, qual seria a palavra seguinte e, quando não a encontrava, suspirava. Na maioria das vezes, mesmo sem saber como dizer, sabia o que seria dito em seguida se ele não parasse. Justamente por isso, parava. Inspirava o ar profundamente e soltava, como que aliviado. Mas não era propriamente um suspiro de alívio.
Parecia cansado. Essa pausa para o suspiro normalmente dava abertura para que os outros dissessem algo ou tentassem completar seu raciocínio. E era assim toda vez que eles se encontravam e ficavam conversando por algumas horas. Acontecia também de não se ouvir nada; ficavam então em silêncio por um curtíssimo espaço de tempo. Entreolhavam-se e sorriam como se estivessem sem graça, mas não estavam. Tinham plena consciência do que acabara de acontecer.
p/ relembrar…


   

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