sobre cebolas e lágrimas

Tudo era grave demais. Picava os tomates com uma precisão e paciência que irritavam o marido faminto. Cortava tudo em minúsculos quadradinhos, principalmente a cebola. E chorava. Antes não cometia ato tão vergonhoso, mas talvez o tempo tenha deixado seus olhos mais sensíveis. Ou talvez o tempo tenha deixado tudo mais sensível a uma cebola, mesmo porque as comidas ficavam mais gostosas com ela; e a salada também, mesmo crua! E agora me ocorreu a capacidade da cebola de ser tão forte a ponto trincar na língua, de irritar durante a mastigação, de temperar um alimento e desaparecer, e de ser tão doce, quando levemente cozida ou refogada. Ouvi uma vez que chorar descascando cebola era sinal de que a pessoa era ciumenta. Nunca tinha acontecido.

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