"onde está essa tal de esperança?"

Nunca ninguém havia me perguntado algo tão cruel, tão difícil de responder. Logo pra mim, que nunca fui otimista. Logo eu que sempre fui apontada como “pessimista demais”. Sempre respondia que não era pessimista, mas sim realista. Tempos depois concluí que ser realista, na maioria dos casos, sendo uma realidade ruim, era ser pessimista, e isso não ajudava muito. 
E agora alguém me perguntava, quase batendo na minha cara: “- Anda, me mostra a sua esperança! Onde está essa porcaria de esperança? Você não disse, quero ver, me mostra então!”.
E eu, a pessimista/realista, precisava dizer onde estava a esperança que eu disse que existia. Precisava saber onde encontrá-la para responder a pergunta, porque se eu não dissesse onde, não iam acreditar. Tudo muito delicado. 
Comecei então a refletir sobre como é importante acreditar, sobre como eu acreditei. Eu nem sei como eu acreditei, mas sei que precisei acreditar. Precisava dizer que não estava mentindo, que era verdade e que é preciso sempre ter esperança. Esperança de que as coisas melhorem, é bom que se diga. Ser persistente em um erro ou coisa sem futuro não é ter esperança, é ter ilusão.
Precisava provar que não estava mentindo, mas eu não sabia como fazer isso.

Talvez eu tenha decepcionado alguém hoje, mas eu sabia que se eu desse a esperança nas mãos desse alguém, ela não ia resistir. Não hoje.

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