sobre a vida

sonhei com trem.
sonhei com várias linhas indo e vindo, e eu precisava ir e vir sempre, fazer caminhos estranhos, cheios de atalhos, e assim que o próximo trem chegasse, precisava estar lá para entrar nele. e depois descer e pegar o próximo. não podia parar nunca. tudo isso, claro, não obedecia uma lógica, porque era como se, ao pegar um trem, eu descesse na mesma estação para pegar o próximo. como se todas as viagens que estivesse fazendo não me tirassem do lugar, mas o lugar sempre mudava, sempre precisava correr, me arriscar. era como se, em vez de o trem se locomover, a paisagem ou lugar trocasse de lugar, andasse. mas isso eu também não via. apenas entrava desesperada no trem e quando dava por mim, já era hora de descer e correr. lembro que uma hora podia ter morrido, mas acho que alguém me ajudou. ou não, talvez tenha sido só impressão minha agora, tentando lembrar. pode ser fantasia minha, pra não me sentir tão só. acho que acabei conseguindo não me machucar sozinha mesmo. e não foi fácil, viu? e também não me lembro de rostos conhecidos – eu lembro de um, que seria o rosto de quem talvez tenha me ajudado, se houve mesmo ele, ou talvez esse rosto tenha só me visto quase cair, ou quase morrer, mas não lembro da fisionomia, não lembro se arqueou as sobrancelhas diante da possibilidade da minha queda. 
e li que sonhar com trem é sempre sinal de algo novo na vida. li também que pode ser algo ruim, dependendo. mas há de ser bom, porque eu quero que seja e ponto. 
feliz dia novo.


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