qualquer lugar

A caminho do trabalho passei por um terreno abandonado. Muito mato, coisas jogadas, lixos e um muro parcialmente destruído. De dentro do ônibus, através do pedaço quebrado de muro, via-se vários pontinhos amarelos no alto de um caule leve e esguio, mas não tanto a ponto de não conseguir equilibrar aquele mimo.

Eram dentes-de-leão, ainda -e com o perdão do trocadilho – na flor da idade. Eles, que vegetam em qualquer lugar, sob quaisquer condições, bastando apenas o vento ou o sopro de alguém que acredita. Logo eles, nunca floresceram no meu quintal, mesmo eu tentando sempre – e isso nunca entendi.
Não dava para entrar no terreno, poderia até mesmo ser perigoso se alguém tentasse. O mato era alto, mas os detalhes amarelos eram altos e visíveis de longe. Nenhuma vida considerada o que chamam de “bonita”. Isso sem falar nos ratos e baratas que não vi, mas certamente existiam ali.
Sem afobação, o jeito era esperar aquelas petalazinhas amarelas darem frutos e o vento soprar. Espontaneamente. E depois nascer de novo, naquele terreno sujo e sem cor, ou no meio do concreto, em uma frestinha da calçada. E depois dar frutos, secar, ventar. E nascer. De novo. Incansavelmente, em qualquer lugar.

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