profundeza

foto // josé de holanda

cravou as unhas por fazer na areia úmida e escreveu, sem força: “nada”. sentia o vento e uma solidão que não fazia mal. então, com vontade, forçou novamente (e outras tantas vezes) os dedos contra a areia e formou as letras, fundas. ficou ali, brincando com a areia e com o significado do nada.

cobriu tudo novamente, mas a palavra havia ficado bem marcada, de modo que apenas jogar a areia de volta não seria suficiente. difícil repor tudo depois de um buraco tão profundo ter sido feito. sabia que, com o tempo, com o vento e o mar, tudo acabaria se desfazendo, voltando a ser plano como antes… cicatrizaria – quanto tempo não sabia. então nem se preocupou. é difícil cobrir um vazio deixado como se ele nunca houvesse existido, mas sabia: se ninguém pisa, ele fecha.

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