seis minutos

Para ler ouvindo 6 minutos – Otto
Existe uma voz que chora forte toda vez que canta, mas existe uma música que mexe mais comigo. Não porque eu me identifique ou sinta como ela é cantada, não porque eu tenha vivido algo parecido, porque eu não vivi, não me identifico. Acontece que sei, por pura dedução quase óbvia e, também, por alguma  sensibilidade, qual o contexto em que ela foi escrita. Toda vez que ela é cantada, toda vez que escuto a mesma história, com tantos berros e uma guitarra que chora desesperada a música inteira, eu choro com ela. Eu sinto como se fosse eu… tendo vivido tudo. Dói; me arrepio toda e morro um pouquinho a cada vez.
Me transfiro, imagino como seria ter uma filha e, em algum momento, ter ouvido meu amor falar sobre “uma casa pequena, com uma varanda”, chamando a Maria pra jantar, num pernoite em um quarto de hotel. Penso como seria ter vivido isso, com toda a intensidade que tenho certeza que houve, e hoje, alguns anos depois de nascida Maria, simplesmente não estarmos mais juntos, por algum motivo que talvez não fosse claro nem mesmo pra nós. Tantos planos, momentos únicos vividos e por viver, uma intensidade inexplicável que parecia fazer tudo ser inevitavelmente o que chamamos de eterno, e talvez apenas alguns minutos – tempo suficiente para uma vida, para uma canção tão intensa.
… instantes acabam.
Isso é pra morrer.

foto // josé de holanda




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