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foto // anna f. horta

tudo nela era grave, desde um pouco antes de acordar, quando sentiu seu olho arder inesperadamente e sem motivo. um sentimento grave, pesadíssimo. e era de uma gravidade sem explicação, pesava a ponto de mal conseguir sair do círculo onde parou. acendeu um cigarro. tragou a fumaça, também grave, depois desistiu e jogou fora. ficou ali, parada, saboreando o gosto da fumaça. sentia um peso nos braços, uma dificuldade. sentia medo e fazia força. temia o próprio medo, mas não o abandonava, por medo de ser perseguida. arrastava, quando não dava. às vezes era tão leve, que deixava mesmo de existir. mas quase todos os dias sentia um pouco de falta de ar para carregá-lo em algum breve momento. precisava levá-lo como se nem pesasse. como se não existisse. era preto e branco. precisa ir, mas não queria mais chegar.

de onde surgiu e quando? e como? a gravidade disso tudo puxava pra baixo, fazia ela cair às vezes. mas também fazia com que ela permanecesse com os pés bem firmes ao chão.

  

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