sobrevida

foto // anna f. horta
saudade dói. e é exatamente essa dor que nos move. é como uma dor de cabeça, que o corpo motiva pra dizer que tem algo errado. como uma cãibra, que vem como um aviso, como um pedido para que o corpo reaja, senão aquele pedaço vai apodrecer até desaparecer.
penso inclusive que em tudo, é a dor ou a possibilidade de que nos move. nós temos medo do que vai doer, tememos o risco, o novo, tememos não saber lidar com o novo, porque não vamos mesmo saber, a princípio. tudo porque pode dar errado. e se der, vai doer.

que expectativa frustrada não dói?  no entanto, eis o que me move.

mas a saudade, essa dói de um jeito que nos obriga a agir. dói para que a gente levante e escreva ou ligue para aquela pessoa, dói até a gente dizer: “eu estou sentindo muito a sua falta hoje porque vi uma foto”. as pessoas fazem uma falta eterna, mas não é todo dia que sentimos. e às vezes dói para que a gente nunca esqueça de dizer a ela que ela nunca vai ser esquecida. dói pra que a gente comece a pensar em tudo que já viveu e se pergunte: por que eu estou sentindo essa dor?
e então a gente age, assim como quando sente fome. a gente se alimenta, diz que ama. mas às vezes não dá. então a gente chora. a gente escreve, mesmo assim. e a gente passa pela dor. ultrapassa. e depois aquilo fica adormecido mais alguns meses, até doer de novo, e a gente agir e reamar e reviver.

2 comentários sobre “sobrevida

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