pernoite

foto // anna f. horta

papilas amarradas
pálpebras embriagadas de movimentos lentos
mãos inquietas e geladas
pele em braile, dizendo o amor e a vontade
o desespero
os nervos excitados e, ao mesmo tempo, dementes
o sangue pulsando a respiração inexistente,
pendente
o atrito aquecendo apesar do vento
a meia luz e o vapor do chuveiro quente
a contraluz dos cílios em close, se fechando
os sentidos e o olhar, já fustigados, desfalecendo
a manhã seguinte.