ser

“ninguém perguntou se queríamos nascer. 
nascemos por decisão e escolha de terceiros.
acabamos por existir, mesmo sem saber como fazer isso. 
e precisamos, sobretudo, ser.”

pensou essas coisas enquanto voltava pra casa, na chuva. mas podia não ser isso. e vendo cada gota de chuva deixando de ser gota de chuva, pensou também na efemeridade das coisas. concluiu que ninguém, além de nós mesmos, podemos determinar o que passou e o que não passou. o tempo passa – aliás, o tempo se passa, mas não passa as coisas. não necessariamente. -concluiu que a gota de chuva não havia deixado de ser uma gota de chuva apenas porque se juntou a outras gotas de chuvas no chão, empoçadas. também não deixou de ser porque evaporou. ela não passou. não para ela. e começou a perceber que poderia fazer passar o que quisesse, desde que se concentrasse bastante. então se concentrou. ser é mais importante do que existir.

foto // anna f. horta



















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