transbordou

foto // anna f. horta
um corpo-desnudo-estremecido-vulnerável recusando a coberta. despido do que importa. ansiando pela crueldade do mundo. o vento frio e seco ressecando cada poro e deixando arranhar até mesmo a mais sutil das palavras. até mesmo a palavra de amor.
tornando o movimento dos lábios limitado. deixando a respiração difícil, dolorosa. o ar queimando as vias respiratórias, deixando o sorriso um gesto também sofrível.
uniu os lábios e tentou. cada pedaço de pele fina se contorceu em suas ínfimas e infinitas partes. sangrou. a pele assustada, rasgada diante de uma possibilidade súbita de alegria. às vezes a gente sangra uma ferida quando acha que já pode sorrir.

sentiu nos olhos secos o único calor a que tinha direito. e como uma panela de pressão que já não comporta mais a própria carne e a pressão, transbordou..

 

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