primavera

era uma primavera de ventos fortes e, também por causa disso, eu já não estava mais tão florida.

a cada chuva fui perdendo flores e folhas, fui perdendo a beleza e a cor. mas a calçada ficava cada vez mais poética, porque tudo que é triste é muito poético. 
houve então uma chuva forte, que além de me derrubar flores e folhes, me envergou todinha e me fez ficar um pouco fraca. quando são arbustos, coloca-se um talo para tentar devolver a planta ao seu eixo, mas de uma árvore tão grande não há muito o que fazer. e eu era enorme. era uma questão de tempo.
outras chuvas vieram. a seguinte foi tão forte pra mim, que perdi alguns galhos e, por conta disso, machuquei alguns inocentes. o vento era tão forte que senti como se estivessem me arrancando as raízes da terra e do concreto que havia por cima. me senti vulnerável, mas permaneci.
e antes que eu pudesse me recuperar desse temporal, veio uma chuva mais branda. se fosse essa a primeira chuva, talvez os galhos nem se balançassem, mas eu já estava bem fraca e, sem escolha, caí. em cima de tudo e diante de pessoas que há um mês me admiravam.

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