rascunho

foto // a.horta

Eu nem sabia mais o que fazer com tantos versos, mas ia escrevendo naquele papel que encontrei na estante. Fui rasurando, escrevendo em cima, desenhando estrelinhas, fazendo setas e redirecionando o raciocínio para os poucos espaços em branco que ainda existiam nos cantos das páginas. No fim, eu tinha uma página tão caótica, rabiscada, suja, borrada com lágrimas, café, uísque, que mal dava para entender. Eu não ia passar a limpo, lamento por mim mesma por tanto rabisco e confusão, mas enquanto isso, escrevi. Eu sempre odiei rascunhos, sempre odiei passar a limpo, sempre mudei tudo quando fazia isso. Quando percebi, passei a escrever de caneta. E depois que acostumei, voltei pro lápis. Esqueci um dia em cima da mesa e a faxineira pensou que era lixo, um papel usado talvez para experimentar se a caneta nova estava funcionando ou para rabiscar enquanto falava ao telefone. Ela jogou fora, sem questionar. Eu também não questionei.

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