perceber é preciso, saber não é preciso

houve um dia em que percebi uma coisa óbvia.

depois de passar cerca de trinta minutos sentada na janela diante de um mesmo movimento das nuvens. eu estava gravando do meu celular e notei que no vídeo, além das nuvens que se moviam bem rapidamente – e pra mim surpreendentemente rápido naquela manhã de domingo em que até eu havia amanhecido calma, até as maritacas que sempre estavam ouriçadas – além delas, o sol também mudava de lugar, só que bem mais sutilmente; obviamente porque nós é que estamos nos movimentando enquanto planeta.

Essa coisa de referencial é tão louca e poética. Perceber o óbvio também. Aliás o óbvio dito só funciona se for dito pela própria coisa óbvia; pessoas dizendo coisas óbvias não costuma funcionar, porque pula-se a etapa da percepção própria. Quando alguém te diz algo óbvio, você tem dificuldade de aceitar que aquilo lhe seja dito porque lhe foi tirado o momento da percepção do óbvio. Mas pra isso é preciso desacelerar. É pelo menos um minuto de pausa, de contemplação, para olhar sem compromisso aquilo que você acha que já conhece, como eu fiz com o céu e o sol.

Perceber é ouvir, do mesmo jeito, mas só que ouve-se a coisa propriamente, é como se fosse um telefone sem fio e quando você percebe, você é a primeira pessoa a receber a mensagem.