o mar que é o outro

Uma vez, quando eu era criança, em um desses veraneios felizes na casa da minha tia em Minas Gerais, mergulhei rumo ao fundo da piscina do clube e, de tão forte, bati os dois joelhos no chão. Repeti o feito depois de grande e bati a testa. Há pouco tempo fiz a mesma coisa no mar e ralei os joelhos na areia. No último caso, não foi muito culpa minha, porque em alguns lugares fica fundo e raso toda hora e nem sempre a gente já aprendeu isso pra evitar. É verdade, não são metáforas. E lendo assim parece que não aprendo, né?

A ironia é que aprendi justamente quando virou metáfora e é por isso que escrevo aqui, só pra dizer que: cuidado ao mergulharem.

Cuidado com a intensidade do mergulho.

Mantenham os olhos abertos, mesmo se o olho arder. Cuidado para se certificar de que são, de fato, águas profundas. Cuidado com águas rasas que parecem fundas. Cuidado com as profundas e turvas demais. Cuidado com o balanço encantador das águas que, de repente, te tiram o fundo dos pés e, no momento seguinte, quando você mergulhou, ficam rasas novamente.

Saiba que não são ondas instáveis. Esse movimento vai se repetir pra sempre. Em alguns momentos, quando for raso, vai dar tédio e em alguns momentos, quando ficar fundo de repente, você vai acabar engolindo água. E quando vai ser bom? Não vai ser.

Não mergulhem de cabeça sem saber a profundidade de onde estão entrando e evitem mergulhar nesses lugares onde fica fundo e raso toda hora e rápido demais.
Enfim , tenhamos cuidado.