amor enquanto jardim

Quando decidi ter plantas, fiz a difícil de escolha de me relacionar. Digo difícil, porque qualquer relação exige de nós disponibilidade para troca e, muitas vezes, não estamos nem preparados.

Muita gente diz que tenho dedo verde, que levo jeito para cuidar de plantas, mas eu ainda insisto ponderar essa coisa de predestinadamente ter nascido com a “mão boa”. Isso porque desde que eu decidi ter plantas e cultivar sementes, percebi que ter plantas nada mais é do que se relacionar. Entre outras coisas, costumo dizer que para cultivar plantas são necessárias as mesmíssimas coisas que são importantes para amar; dentro da disponibilidade que citei está todo o resto: precisamos estar atentos ao que o outro nos diz, precisamos de sensibilidade para entender as mensagens e, sendo algo novo para nós, precisamos procurar entender o que elas significam. Depois, ainda, precisamos mudar o que estiver errado naquele cultivo e cuidado, para que a planta se restabeleça, ou aceitar mesmo que não dá para cultivar determinadas plantas em alguns ambientes.  Existem plantas lindas que exigem extremo cuidado e condições específicas de ambiente e clima, e se você não tiver essas condições ou não estiver disposto, não vai adiantar comprar um vaso bonito, porque ele não vai durar.

Amar é exercício de jardinagem:

requer paciência, interesse e, sobretudo, coragem.

Paciência, porque cada planta tem o seu tempo de germinar, crescer e florescer. Muitas plantas são perenes, têm ciclo de vida longo, outras são anuais, e têm um ciclo de vida de no máximo um ano. Algumas sementes germinam em qualquer lugar, outras só germinam em condições muito específicas. E nós não vamos mudar a natureza de ninguém.

Interesse, porque elas se comunicam como podem conosco. Às vezes compramos uma planta e não sabemos como cuidar e tudo bem, se não houve o interesse imediato sobre os cuidados, ela vai nos dizer do jeito dela se a água está excessiva, se a luz está insuficiente; o que a gente precisa, além do olhar atento e amoroso, é buscar entender sempre o que ela (o outro, seja ele quem for) está dizendo, caso contrário a planta vai morrer bem aos poucos por displicência sua.

Coragem, sobretudo, porque é preciso muita vontade para fazer dar certo. Escolher se relacionar é escolher doar energia, muitas vezes mais do que se recebe. E no começo de tudo pode ser que acabe doendo mais mesmo, lidar com a expectativa de uma semente plantada, por exemplo, é muito difícil, mas nos ajuda a aprender que tudo tem o seu tempo. Muitas plantas acabam morrendo até que você aprenda sobre esse grande exercício de amor que é ter um jardim. Muitas plantas são extremamente fáceis de cultivar, outras possuem uma série de exigências e cuidados, a escolha de cultivar uma ou outra é nossa, por isso é preciso coragem.

 

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