nunca é

Eu estou aprendendo a lidar com uma coisa antiga. Até hoje! E acho que sempre ainda estaria. Quando a gente ama de verdade, a gente aprende a ser tudo que a gente quiser. Eu pensei que um machucado estava cicatrizando, mas gente, meus machucados nunca cicatrizam; meu pai me disse hoje que eu sou masoquista…
… mal sabe ele que sou mesmo.
Hoje eu estava entusiasmadíssima com uma carta que enviei. Senti uma sensação de que tudo o que precisava estava ali, que não faltava nada. Tudinho. Mas já me sinto levemente arrependida. Depois de um tempo tudo que a gente escreve parece tão ordinário e desnecessário.

“Por que o amor nunca é suficiente?”
Alice (Natalie Portman), em Closer

o resíduo final

Sempre gostei muito da sinceridade…
Você vai dizer: “todo mundo gosta de sinceridade”, mas não é verdade. Tem muita gente que prefere uma verdade enfeitada e cheia de lacinhos do que a nua e crua. Eu prefiro a nua.
Uma verdade enfeitada não é uma verdade genuína, é quase uma mentira, porque não te mostra o que é realmente. Mas tem gente que prefere assim. O perigo está em não saber enxergar sem o embrulho e os penduricalhos.
Eu gosto do modo como algumas pessoas têm a capacidade de falar o que pensam e o que pensam de mim, de modo que beira a estupidez. Eu me interesso por isso, me interesso pelo grau de envolvimento que leva uma pessoa a me dizer a verdade como ela é, sem se preocupar em podar uma coisa ou outra pra ela ficar mais fácil de pegar pra si. Gosto da verdade com os espinhos mesmo, gosto de pegar com espinhos e de me machucar com eles.
Só assim funciona, enquanto cicatriza.

“A verdade é o resíduo final de todas as coisas.”
(Clarice Lispector)

* cliquem na imagem e reparem na sutileza do pulgão. 🙂