eternidade

publicado no negodito.com

foto // anna f. horta

Preciso desafiar o egoísmo das pessoas -e o meu- de arrancar o belo pelo talo e depois se desfazer. precisamos entender que a terra é de onde as coisas vêm e pra onde vão, todas. todos nós.
preciso comprar adubo ou fazer alguma coisa que sirva para nutrir essa coisa que quer nascer e quero plantar. e depois tirar uma muda e dar pra você, sem precipitação. para você que sabe plantar. ou então dar pra você, já plantada, em um vaso pequeno para, quem sabe, você replantar, quando crescer, em um espaço maior, merecido. mas nunca arrancar pra você guardar entre duas páginas de um caderno, até que seque. nunca! é tão poética a natureza morta, a tristeza e a secura.

aliás precisamos parar com essa mania de arrancar flores assim indiscriminadamente. quando eu era pequena colhia flores no caminho pra presentear a professora, mas a flor chegava tão murcha e já sem beleza que, às vezes, até desistia do mimo. porque a tal beleza morre, as pétalas murcham, enrugam. mas a beleza que existe no que é vivo, quando é dado como presente – esta ninguém mata, essa vive pra sempre, dá frutos, filhos, netos. e jardins.
dê flores vivas com a possibilidade de viver mais, se quiser presentear alguém. dê vida, dê a possibilidade de continuação e esperança. ninguém deveria precisar morrer só para que a gente pudesse dar um pedacinho de beleza a quem ama. nem uma margaridinha.
e eu? bem, eu preciso cultivar, pra depois colher e te dar, pra depois tirar mudas e replantar. sem precipitações, bem eternamente mesmo. porque é.

  

ilusões cotidianas

A: Moça estilosa, você tem um minutinho pra mim?
B: Não posso, tenho ônibus com horário marcado.
Ele acreditou? Não sei. Mas se conformou e com um sorriso que me pareceu bem verdadeiro, agradeceu e ficou pra trás. É isso que fazemos sempre: jogamos pequenas mentiras constantemente ao léu para qualquer pessoa iludida ou sem opção acreditar.
Nós mentimos muito para oferecer uma realidade mais confortável para algumas pessoas, mesmo que isso nem chegue a fazer diferença para elas. Muitas vezes para nos enganar, convencendo alguém do que queremos na verdade ser convencidos.
Na maioria das vezes quem recebe a mentira sabe que trata-se de uma mentira, mas ela é passada de uma forma tão preocupada em parecer verdade, que soa sincera. Seria tão mais fácil dizer “tenho um minuto, mas não quero dá-lo a você”, mas nós não podemos ser sinceros sem parecermos grosseiros. E como eu poderia parecer grosseira com alguém que me agradou? É apenas a verdade, só deve-se respeitá-la, mas não. Pra quê floreá-la? Para que as coisas não pareçam tão ruins?
E nós, quando recebemos essa mentira tão sorridente, ou a transformamos automaticamente em verdade, ou fingimos acreditar (já acreditando mesmo). De qualquer forma, as duas posturas são de conformação. E nesses casos, não sei, acho que não se deve insistir, para não estragar o clima das coisas. Se o rapaz tivesse insistido, teria me irritado e ele ficaria também irritado, tenho certeza. Acho que algumas mentiras são tão ingênuas que merecem, sem que haja nenhum desgaste, ser respeitadas, até.
Às vezes acreditamos por pura teimosia, só pra quando a desilusão vier a gente poder dizer pra si mesmo: “- Mas eu sabia desde o início que não devia me iludir.”. 
Como somos idiotas de achar que isso funciona; de achar que acreditar em mentiras bem vestidas nos livra de alguma coisa. 
Mas… talvez funcione, viu? 

formas silenciosas

É que num dado momento essa coisa toda deixa de ser amor pra ser uma coisa além. E ainda bem que não tem nome. É por isso, e só por isso, que alguns casamentos ainda duram. O amor é muito pouco, o amor ainda está diretamente ligado a decisões e racionalizações. E, bom, eu fiquei pensando no que poderia ser e até cogitei dar um nome pra essa coisa além do amor, inventar um nome só meu. Acontece que quando a gente dá nome às coisas, elas ficam tão limitadas. Quando a gente tenta explicar, reduz tanto; esse é um dos meus defeitos: explicações e justificativas demais para esse ou aquele modo de agir.
Mas é que dizer “eu te amo” não significa mais – e mesmo assim a gente diz. Não tem nada a ver com sentimentos ou expressão banalizados. Tem a ver com plenitude. Mas não é isso, não é nada, é sem nome, é anônimo. Mas existe. É um conhecido de vista, mas não se pode chamá-lo pelo nome, porque ele não tem. E para conhecê-lo, só chegando bem perto, se aproximando. Sem, porém, perguntar o nome.
 … por isso que a gente sente desse jeito.

um brinde ao dia de hoje.

  

você é?

Têm pessoas que não conseguem ser. Existem pessoas que não querem ser o que são, querem parecer ser e se contentam com isso. Pessoas que querem ser como outras, mas na tentativa desajeitada de imitar, conseguem apenas um reflexo turvo, feio e desajeitado, mas que se assemelha a imagem real. E então fica claro para todos os olhos que aquilo é mentira. E no fim das contas, a emenda sai pior do que o soneto. As pessoas reparam, não adianta fingir que é. Aliás, aqueles a quem essas pessoas mais querem enganar – principalmente estes! – reparam.
E eu cansada de ver gente reclamando que não consegue ser feliz… De gente que não entende a dificuldade de ser feliz. Antes de SER FELIZ, primeiro é preciso SER. Depois disso você já elimina uma série de caminhos longos e errados.

ah… o rádio

“O Rádio é a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo. Perdida sim, porque infelizmente são poucos aqueles que entendem e sentem o poder que esse veículo tem. O poder de transferir o arrepio, o poder de aplacar a ira, o poder de motivar para fazer, o poder de balancear a cadência do coração de cada um. Não precisa muito, é apenas a vontade que anima, vontade de querer ser melhor, de passar a mensagem melhor e querer que o outro que está do outro lado, que apenas por força de circunstância não é a gente mesmo, receba esta mensagem. É tão simples, é tão forte e tão bom. Não ser piegas, mentiroso, ignorar as rudezas do cotidiano, ignorar a maldade do mundo e a gama toda variada de coisas ruins que nos cercam. Encarar com verdade, com clareza, com força até; e dizer – veja, há um atalho por aqui, para a gente chegar lá.

Onde é lá? Lá, é a busca da paz. Você pode ter ou não ter dinheiro, posição, saúde, qualquer coisa. Mas, a paz é o equilíbrio do homem consigo mesmo e, conseqüentemente, é a força que vai colocá-lo em equilíbrio com o Universo. Estamos todos perdidos, caminhando apressadamente em busca de lugar nenhum. Muitas vezes o que corre mais chega e diz – mas, o que eu estou fazendo aqui? Não é aqui que eu quero ficar.

O rádio lamentavelmente é a melhor oportunidade perdida de mudar o mundo.”

Este é um trecho do comentário feito por Hélio Ribeirohá muitos anos, no programa “O Poder da Mensagem,” que ele apresentou durante muito tempo pelas Rádios Bandeirantes, Tupi e Globo de São Paulo.

sob medida.

_ Sabe, eu gostei de tudo, desde a hora que eu entrei na sua casa. Eu não imaginava encontrar tudo que eu encontrei. Tudo muito bonito, o chão de taco, escuro, o estilo antigo. A família. Sem falar da luz, é claro. Perfeita pra fotografia. Tudo muito certo, muito ideal. Passaria dias inteiros te fotografando, precisava de tempo pra fazer tudo que eu gostaria lá. Eu não sei, mas tudo me trouxe uma sensação tão boa, algo parecido com nostalgia. Seus pais, velhinhos, com uma vontade de cuidar de você, uma preocupação com você. Gostei muuito deles, mesmo. Eu quero fazer parte disso; quero cuidar de você, junto com eles. E eu fiquei sem saber o que dizer, sabe… eu precisava dizer que tinha chegado naquela manhã, mas não senti que seria justo com eles. Sua mãe puxando papo, e perguntando pra ele tudo que perguntava pra mim. E eu pensando: “poxa, ela tem que saber só de mim, ela não precisa perguntar pra ele também.”. Depois seu pai também puxando papo, enquanto você tomava banho. E o almoço gostoso que ela fez pra gente, as risadas, as fotos… aquele almoço foi um dos melhores momentos da minha vida, sem dúvida.

. . .

Fala alguma coisa…

_ Eu amo você.

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pra você(s).

Você que me lê e que tem me feito sorrir nos últimos dias, que tem feito os dias serem melhores; que tem transformado coisas difíceis e cansativas em coisas divertidas de serem feitas; que tem me ligado pra contar um segredo antes de contar pra todo mundo. Que tem escrito diariamente e religiosamente coisas bonitas pra mim, e também escrito coisas bonitas sobre mim. Você que tem pensado em mim com carinho, que tem participado tanto da minha vida, que tem dado saudade, que tem tornado cada dia mais leve de ser levado pra cama, que tem me dado amor, amizade, atenção. Você que tem se preocupado, que tem vibrado com cada sorriso meu. Que sabe o que se passa comigo e que tem compartilhado da alegria que diariamente eu sinto. E você que tem causado essa alegria. Você que tem me apoiado nas minhas ideias e sonhos malucos, nas minhas esperanças. Você que tem se esforçado tanto pra entender o meu modo difícil de sentir as coisas. Você que sente como eu. Você que me ajuda a conseguir entrevista pro dia seguinte, você que não quer que eu passe o dia de hoje sozinha de jeito nenhum. Você que me faz rir tanto, até quando tudo está dando muito errado. Você que não me vê mais diariamente, mas se preocupa mesmo assim. Você que já me viu chorar. Você que tem tido esperanças junto comigo e tem se alegrado por eu estar tão bem. Você que cria expectativas comigo, que espera a resposta comigo. Você que se preocupa tanto, porque eu não tenho muita noção de perigo mesmo. Você que apoia a tatuagem nova que quero fazer e você que não apoia; e você que tem me dado a mão e ajudado a pensar que as coisas vão dar certo. Você que acredita em mim. Você que faz eu me sentir importante pra você. Você que (já) me ama. Você que (já) é capaz de me amar.

Pra você esse saboroso primeiro pedaço.

Mas a primeira mordida do primeiro pedaço é só dele.